Páginas

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Semear em Alfobre Versus Semear na Terra

Desde o ano passado que raramente semeio directamente no solo da horta e isso devido a várias razões que fui descobrindo nestes meus 2 curtos anos de horticultura.

Passo a explicar esses motivos:

1º - Água - a água gasta numa sementeira na terra é muito superior aquela que se gasta ao semear em tabuleiro, consigo semear 50 feijões (por exemplo) e tê-los prontos para plantar com menos de 10 litros de água.

2º - Taxa de natalidade (não sei se será o termo correcto para plantas) - em tabuleiro é quase de 100%, na terra é raro ultrapassar os 50%, o que representa uma poupança grande em sementes e há sementes bem caras.

3º - Controlo de pragas e doenças - muito mais fácil de controlar em tabuleiro, incluindo lesmas e caracóis e é raro perder uma planta.

4º - Menos horas de trabalho - no tabuleiro posso pôr apenas uma semente por buraco o que não me faz perder tempo a retirar as que estão em excesso.

5º - Protecção contra as intempéries - em tabuleiro podemos sempre recolher as sementeiras para local abrigado e mantê-las abrigadas até as condições melhorarem.

Estas são as principais razões para preferir a sementeira em tabuleiros, mas há uma desvantagem que as plantas em tabuleiro têm em relação às semeadas directamente, quando germinadas estão menos adaptadas ao clima, já que foram criadas em local protegido, mas isto resolve-se bem com uma adaptação correcta, começam-se colocar as plantas na rua em períodos mais quentes e vamos prolongando esse tempo até estarem completamente adaptadas, dependendo das variedades e do tempo, pode demorar de 7 a 15 dias.

Há uma questão que já devem estar a colocar e que é se depois se pode transplantar sem problemas, se as coisas dão igual ou não? É exactamente a mesma coisa, já experimentei com uma série de variedades que aconselham a semear directo na terra (é claro que as empresas que vendem sementes preferem que semeemos na terra, vamos precisar de comprar mais sementes na próxima época!!), cenouras, rabanetes, beterraba, ervilhas, milho, favas, pak choi, são as variedades que menos vemos à venda já em planta e com as quais já experimentei com sucesso este método.

Por estes motivos todos, nem hesito, opto sempre por semear em tabuleiros e germinar em local controlado e tenho tido óptimos resultados e comparativamente com outras técnicas que vejo outras pessoas daqui a usarem esta é sem dúvida nenhuma a mais eficaz e que permite maximizar os recursos da forma mais correcta.

Agricultura biológica não é só não usar químicos mas também ter verdadeira consciência do quanto podemos ajudar o planeta, ao não consumirmos os seus recursos sem uma honesta justificação.

5 comentários:

Simone Felic disse...

oi tõ chegando por aqui e gostei muito do seu cantinho horta.

http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

João Gomes disse...

Olá Simone
Obrigado pelo seu comentário e seja bem-vinda.
Volte sempre.
João

Daniel Leal disse...

Olá! Post interessante...

Gostaria de fazer uma pergunta que pode desde já agradeço a sua possível resposta:

Tenho também tentado algumas coisas no alfobre de tabuleiros com relativo sucesso. No entanto tenho tido algumas dificuldades com couves diversas. O que se passsa é que a planta cresce muito rápido e o caule fica muito fino, não aguentando o porte da planta. Perco uma quantidade significativa de plantas porque acabam por se partir. Quando vou a uma loja de plantas já germinadas em tabuleiros, o que vejo é que são mais pequenas que as minhas, mas mais robustas, ou seja, têm o caule mais grosso.
Sabe como poderei resolver este problema?

Obrigado.

João Gomes disse...

Viva Daniel.
obrigado pelo seu comentário.
Nas couves, por onde a couve acaba por se partir, fica da grossura de um cabelo?
Se for o caso é murchidão das plântulas,uma doença provocada por vários agentes patogénicos, que pode ser causada por excesso de humidade ou demasiado frio.
O melhor é arejar bem as plantas e espaçar as regas, usar um substrato estéril de germinação também ajuda.

Também pode acontecer que o tronco se parta por ter crescido demasiado depressa, em altura, e isso é provocado por falta de luz, a planta estica-se na direcção da luz.

As que vê na loja de plantas já levaram uma carrada de aditivos que as põem assim rapidamente e são criadas em boas condições de luz.

Espero ter ajudado.
Cumprimentos
.
João Gomes

Daniel Leal disse...

OK, obrigado!

Parece-me que deve ser a segunda hipotese. Como estou no alentejo, e à excepção do inverno, os dias soalheiros são muito quentes, eu evito ter as plantas no sol directo. Por isso deve ser falta de luz...

Cumprimentos.

...Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

O que acha deste blog?